Divulgação de artigos é fundamental para pesquisadores
Published by Carlos Rocha on domingo, 12 de julho de 2009 às 13:46Talvez seja difícil para quem não é pesquisador entender a importância que a publicação de um trabalho tem. A pesquisa torna-se notória quando a comunidade científica toma conhecimento dos resultados. A divulgação pode ocorrer por meio de apresentação em congresso ou publicação de artigo em revista acadêmica. Saber qual a melhor forma de fazer isso é algo que estimula certa polêmica em função da abrangência diferente desses fóruns.
"Congressos têm alcance limitado, enquanto muitas revistas são disponibilizadas eletronicamente", diz o professor Ronaldo Pilli, pró-reitor de pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Ele afirma ainda que o ideal seria divulgar as pesquisas primeiro em congresso e, depois, publicar em algum periódico. No entanto, ele ressalva que a ânsia por publicação é grande e esse mecanismo tem se invertido. "No final das contas, mesmo que a submissão a um órgão de financiamento determine a paternidade das idéias, o que conta mesmo é a publicação, pois quem está no exterior não tem como saber", explica ele.
A professora Divina das Dores de Paula Cardoso, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da UFG (Universidade Federal de Goiás), vai além e afirma que sem publicação não existe carreira de pesquisador. "Seja o pesquisador ligado a uma instituição de ensino e pesquisa ou apenas de pesquisa, ele tem de gerar resultados capazes de agregar novos conhecimentos. E é necessário que seus resultados sejam socializados", afirma ela. É o que pensa, também, o pró-reitor de pós-graduação e pesquisa da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Isac Almeida de Medeiros, para quem a publicação de um artigo representa o reconhecimento do pesquisador. "A comunidade científica mundial reconhece um pesquisador não só pelo número de artigos publicados, mas também pela qualidade dos periódicos", explica ele.
Isac se refere ao chamado fator de impacto, que é a relevância que uma publicação tem para o meio científico. Esse fator é medido pela quantidade de citações que outros artigos fazem aos artigos publicados por ela. "Quando um artigo meu é citado, é mérito da revista. Claro que há contabilização de quantas vezes o artigo foi citado, mas é a revista que ganha em impacto", exemplifica Divina. A contagem das citações é feita por organismos especializados, como o JCR (Journal Citation Reports).
Avaliação técnica
Não apenas o fator de impacto dos periódicos onde se publica algo ajuda a incrementar o currículo de um pesquisador. A área de conhecimento abrangida pela publicação também conta. "Quando a produção é numa área do conhecimento, mas a publicação é em outra, a avaliação é diferente", afirma Divina. Ela se refere à avaliação dos artigos pelos pares. Ou seja, pelos pesquisadores, escolhidos ao redor do mundo pelo corpo editorial da publicação, que irão avaliar o material. "São pessoas que atuam na mesma área de conhecimento do artigo e são capazes de dar opiniões técnicas bastante balizadas. A comunidade aprecia esse tipo de avaliação de revistas de circulação internacional", conta Pilli.
A escolha da revista e da área do conhecimento dependem muito do bom senso do pesquisador, conforme conta Pilli. "É uma questão de olhar o que esta sendo feito. Todo pesquisador tem como tarefa olhar a literatura, ver o que os líderes da sua área publicam", declara ele. Pilli explica que cada área tem assuntos que repercutem mais. "Geralmente o pesquisador sabe quando tem um trabalho de nível para ser aceito numa revista de prestígio. Se o resultado tem alcance em outras áreas, ele merece ser publicado numa revista de maior alcance", diz.
Quando a pesquisa é altamente inovadora, as chances de ser publicada em revistas mais consagradas são maiores. É o que conta o pesquisador Jorge Timenetsky, do Instituto de Ciências Biomédicas, da USP (Universidade de São Paulo). "Se você descobre algo realmente novo, vai para uma revista tipo Science", afirma em referência à publicação da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência.
No entanto, para Pilli, não há nenhum demérito em não publicar em revistas como a Science. "São revistas muito seletivas e mesmo os líderes não publicam nelas sempre.", afirma. Ele explica que, para publicar numa revista de grande prestígio, passa-se pelo escrutínio de vários pares. "E, a depender da publicação, eles são bastante exigentes", afirma Pilli.
Conforme conta Elvira Carvajal, diretora do departamento de apoio à produção cientifica e tecnológica da sub-reitoria de pós-graduação e pesquisa da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), para que um artigo se enquadre nos padrões da revista, é difícil que seja aceito sem nenhuma adaptação. "Há revistas que não aceitam artigos por motivos não objetivos, inclusive por motivos pessoais. A comunidade cientifica é feita por seres humanos que estão sujeitos a falta de ética", lamenta ela. Por isso, Elvira explica que se o pesquisador tem conhecimento de que algum avaliador pode prejudicá-lo, pode pedir que o artigo não seja lido por determinada pessoa.
Publicação padronizada
Para minimizar as dificuldades com a publicação, Timenetsky recomenda aos pesquisadores elaborar bem o texto de apresentação do artigo, com uso de termos apropriados. Ele, que é autor de diversos artigos acadêmicos, conta que o artigo deve ser possível de ser reproduzido, incluindo as ilustrações com títulos e legendas que as tornem auto-suficientes. Por sua vez, Elvira recomenda que os artigos sejam publicados em inglês para aumentar a visibilidade perante a comunidade internacional.
É imprescindível seguir as normas determinadas pela publicação almejada. O alerta é do pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Benedito Corrêa. Ele explica que, geralmente, as revistas exigem que o artigo seja entregue com título, resumo, palavras-chave, introdução, objetivos, material e métodos, resultados e discussão, além de referências bibliográficas. Para cada um desses itens, há limitações de tamanho e estilo. "Cada revista tem normas que devem ser obedecidas. O site das publicações normalmente traz o escopo, com informações sobre como elaborar cada tópico", afirma ele. Corrêa também conta que as melhores revistas costumam informar o fator de impacto no site.
Fonte: Universia